Visando uma atualização resumida sobre a Eucaliptocultura no Brasil, seguem algumas considerações e abordagens técnicas sobre espécies (e tipos) de Eucaliptos – que podem hoje ser encontrados mais facilmente no Brasil, suas caracterizações quanto aos seus aspectos morfológicos e visuais, e suas principais características tecnológicas e físico-mecânicas, visando sua utilização e melhor desempenho em aplicações estruturais e estéticas, principalmente na sua forma roliça.
Nesta abordagem adotamos um propósito bastante simples e prático, a partir de experiências que adquirimos no Setor Florestal brasileiro trabalhando com os Eucaliptos, não possuindo um caráter mais científico, embora trazemos algumas referências técnicas de autores especializados nesta temática.
► Sobre as Espécies de Eucaliptos:
No Brasil, por iniciativa de Edmundo Navarro de Andrade (Cia. Paulista de Estradas de Ferro) no início do século XX, tivemos a introdução de inúmeras espécies de Eucaliptos no interior de SP (Hortos Rio Claro, Jundiaí e outros), e que a partir das décadas seguintes foram se distribuindo para o sul do País (em usos rurais e posteriormente no pioneirismo da CEEE-RS nos postes de eucaliptos tratados em redes elétricas) e também para Minas Gerais na produção de carvão vegetal para usos na siderurgia.
Como decorrência da sua distribuição no Brasil, assim os diversos usos e aplicações foram “se apresentando e se viabilizando” com os Eucaliptos no Brasil, com sua grande expansão como base de suprimento da indústria de celulose/papel e de painéis reconstituídos, nos estados de SP, MG, ES, PR e RS, até a chegada dos Eucaliptos no MS já nos anos 2000, além da BA, SC e outros estados do Centro-oeste e Nordeste brasileiro, desta forma poderíamos citar que dezenas de espécies foram sendo introduzidas e algumas obtendo ótimas adaptações e produtividades.
Aqui apenas como referência, daquelas espécies que mais destacaram a partir das últimas décadas e um rápido resumo do que temos hoje em geral no País: Eucalyptus saligna, grandis, urophylla, dunnii, globulus, camaldulensis, citriodora, cloeziana e outras de menor expressão comercial, além de híbridos que surgiram com os programas de melhoramento genético e clonagem (a partir dos anos 2000), como clones de Eucalyptus urograndis, grancam e outros.
Ainda como curiosidade, tivemos espécies que em algum momento do passado tiveram sua importância como madeiras de Eucaliptos para diversos usos, como Eucalyptus paniculata (ferrinho), terenticornis e botryoides (postes), viminalis (resistência a frios extremos), alba, longifolia, resinífera, maideni e muitos outros, até a testagem recente do Eucalyptus benthamii como nova espécie resistente ao frio do Sul do País.
► As Espécies (agrupamentos) X densidades da madeira X propriedades* físico-mecânicas:
Dentre as espécies citadas e seus clones híbridos em oferta mais abundante hoje nos estados produtores do País, podemos “agrupá-las” em termos de densidade básica da madeira e outras características tecnológicas e morfológicas:
- Grupo do E. saligna e E. grandis: densidades mais baixas e médias, com características físico-mecânicas de dureza e resistência medianas e de durabilidade natural mais baixa exigindo um adequado tratamento químico da madeira.
- Grupo do E. urophylla, globulus, citriodora, cloeziana, dunnii e outros: com densidades médias maiores, maior dureza das madeiras e resistência mecânica maior, assim como a durabilidade natural um pouco maior.
- E quanto aos híbridos de E. urograndis e grancam, estes se situam numa faixa intermediária de características entre os dois Grupos citados anteriormente.
OBS: cabe aqui ressaltar que as características físico-mecânicas, como a Dureza a Durabilidade natural dos Eucaliptos vão sendo aumentadas com a sua idade e o seu ciclo de vida, assim como todas “madeiras juvenis são mais vulneráveis” na grande maioria das espécies arbóreas.
* As principais propriedades físico-mecânicas aplicadas nas madeiras em geral e os resultados para algumas espécies de Eucaliptos são, vide Tabela abaixo do Eucalyptus grandis (FLOSUL-RS): Densidade (kg/m3); Contrações – volumétrica, radial e tangencial (%); Flexão estática, Compressão paralela e Compressão normal – tensão de ruptura e módulo de elasticidade (MPa e kgf/cm2); Dureza Janka – axial, radial e tangencial (N e kgf); Cisalhamento (MPa ou kgf/cm2); Fendilhamento – radial e tangencial (N/mm e kgf/cm); e Tração normal a grã – radial e tangencial (MPa e kgf/cm2).
► As Espécies (agrupamentos) X aspectos morfológicos e visuais (coloração):
Entre os dois Grupos apresentados, quanto a coloração média das Espécies (pois tem pequenas variações dentro da própria espécie) os Eucaliptos saligna e grandis possuem uma coloração mais clara chegando ao roseado, enquanto as espécies mais densas, exemplo como o E. paniculata tem sua coloração mais avermelhada. Já o E. citriodora se distingue pelo seu cerne mais escuro e seu alburno amarelado, assim como a madeira do E. cloeziana é mais amarelada também.
E cabe aqui destacar que os “tons das madeiras de Eucaliptos vão escurecendo com o passar de suas idades”, podendo como exemplo ser verificado Eucaliptos saligna e grandis com cerne bem avermelhado com idades mais avançadas de ciclo.
E quanto a forma (cilíndrica) dos Eucaliptos, justamente sendo esta característica uma das variáveis de busca nos Programas de Melhoramento Genético em curso no País, as produções/ofertas atuais em geral se apresentam com “boa forma das árvores” (o que no mercado se chama de “árvores linheiras”), principalmente nos clones de E. grandis, E. saligna, Urograndis e outros. Aqui também a conicidade das árvores é uma variável importante a ser observada na produção dos Eucaliptos
E para finalizar este “Paper sobre os Eucaliptos hoje no Brasil” vale considerar que, devido aos Eucaliptos serem espécies de “rápido crescimento e com altos níveis de tensões de crescimento” – o que pode levar a manifestação de defeitos de estabilidade da madeira quando de seu processamento e em desempenhos futuros, é muito importante que “numa cadeia de produção dos Eucaliptos – sejam estes na sua forma roliça ou serrado/beneficiado” todas as etapas e operações sejam bem estudadas e planejadas quanto a sua orientação técnica, a escolha das fontes da matéria-prima (das árvores de Eucaliptos) e principalmente nas fases de “secagem da madeira” visando a melhor sua estabilização possível, assim como na etapa de “proteção – tratamentos químicos” das madeiras, e no próprio armazenamento e manuseio correto dos produtos.
Fontes Consultadas:
- O Eucalipto: Edmundo Navarro de Andrade (1961)
- A Cultura do Eucalipto no Brasil: Admir Lopes Mora e Carlos Henrique Garcia (2000)
- Manual EGP-FLOSUL (1998)